Roda de conversa sobre biodiversidade marcou, em 20 de maio de 2026, as comemorações do Dias Internacional da Biodiversidade na Embrapa Meio Ambiente. A data oficial é celebrada mundialmente em 22 de maio e mobilizou pesquisadores, técnicos e convidados em torno de reflexões sobre conservação, serviços ecossistêmicos, segurança alimentar e valorização da sociobiodiversidade brasileira.A programação foi aberta pela pesquisadora Rachel Bardy, que conduziu um momento participativo convidando os presentes a compartilharem suas percepções sobre biodiversidade. Durante sua fala, ela destacou a posição do Brasil como uma das maiores potências mundiais em diversidade biológica, reunindo entre 15% e 20% de todas as espécies vivas do planeta. “Precisamos carregar a bandeira da biodiversidade para todos os setores da sociedade, porque ela é a nosso maior patrimônio. A ideia deste encontro foi justamente aproximar esse tema de toda a comunidade da Embrapa Meio Ambiente e evidenciar sua importância para a economia, para a sociedade e para a manutenção do equilíbrio da vida no planeta”, afirmou.Segundo a pesquisadora, o Brasil lidera o ranking mundial de biodiversidade, seguido por Indonésia, Colômbia, China e México. Ela ressaltou que um único hectare da Amazônia ou da Mata Atlântica abriga mais espécies de árvores do que todo o continente europeu. O país também possui uma das maiores diversidades de fauna do mundo, com cerca de 124 mil espécies animais catalogadas, incluindo a maior diversidade global de mamíferos, peixes de água doce e anfíbios. Rachel Bardy também lembrou que o Brasil integra a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), tratado internacional criado durante a ECO-92, no Rio de Janeiro, e ratificado por 168 países em 2023. No país, a coordenação das ações é realizada pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio de um plano nacional voltado à conservação da biodiversidade, redução do desmatamento e fortalecimento da bioeconomia. A pesquisadora destacou ainda a importância da própria área da Embrapa Meio Ambiente como espaço de conservação, caracterizada pela presença de espécies arbóreas e arbustivas e pela grande diversidade de abelhas. Nesse contexto, a exposição fotográfica sobre a biodiversidade da Unidade Buscou despertar um olhar mais atento para a riqueza natural existente no local. “Sem biodiversidade em equilíbrio não há serviços ecossistêmicos essenciais, como água limpa, polinização das culturas e solo fértil. E, sem esses serviços, não existe agricultura”, enfatizou. Rachel também mencionou o importante papel dos povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) na manutenção da biodiversidade, no manejo sustentável. A pesquisadora Katia Braga abordou a relação entre diversidade de abelhas, qualidade ambiental e alimentação humana. Ela lembrou que o encontro coincidiu com o Dia Mundial das Abelhas, celebrado em 20 de maio, reforçando a conexão entre os temas. “Trazer esse assunto para a comemoração do Dia Mundial da Biodiversidade faz todo o sentido”. Katia explicou que a ciência já comprovou o papel fundamental das abelhas na manutenção da vegetação nativa e na produção de alimentos. No Brasil, existem mais de 1.700 espécies nativas de abelhas, responsáveis por importantes processos de polinização. Segundo ela, as abelhas constituem o grupo de animais mais dependentes do pólen e das flores como fonte de proteína para a reprodução, estabelecendo uma interação contínua com as plantas ao longo da evolução. Essa relação transformou esses insetos nos principais polinizadores das florestas e de inúmeras culturas agrícolas utilizadas na alimentação humana. “A diversidade de abelhas é a base para um ambiente saudável para todas as formas de vida e também para a segurança alimentar”. ressaltou. Representando o Instituto Kairós, Guilherme Ranieri apresentou o conceito de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e discutiu o potencial dessas espécies para a biodiversidade para a biodiversidade alimentar e para a agricultura diante das mudanças climáticas. Durante sua apresentação, ele destacou que muitas espécies com potencial alimentício deixaram de fazer parte da rotina da população por mudanças culturais, perda de hábitos alimentares, urbanização e ausência de cadeias produtivas estruturadas. Segundo ele, muitas plantas antes comuns nos quintais desapareceram do cotidiano das cidades devido à impermeabilização dos espaços urbanos e à redução de contato das pessoas com a natureza. Ranieri explicou que o Brasil possui cerca de 5 mil espécies de plantas com potencial alimentício, muitas delas mais nutritivas que hortaliças convencionais encontradas nos mercados. Entre os benefícios apontados estão maiores teores de fibras, minerais, proteínas, vitaminas, compostos antioxidantes, flavonoides, polifenóis e substâncias nutracêuticas. Além do potencial nutricional, as plantas PANCs também apresentam vantagens agronômicas e econômicas. Muitas espécies são mais resistentes a pragas, toleram diferentes condições de solo e luminosidade e apresentam maior adapatação a eventos climáticos extremos, como secas, ondas de calor, frio intenso e doenças. Segundo Ranieri, essas plantas podem ampliar a diversificação produtiva nas propriedades rurais, gerar novos nichos de mercado e agregar valor à produção agrícola, especialmente em restaurantes, feiras e produtos processados. “Existe um enorme potencial nutricional, agronômico e econômico nessas espécies, mas ainda falta conhecimento, divulgação e valorização”. afirmou. Encerrando a programação. Ladislau Skorupa apresentou um panorama das espécies arbóreas existentes na Embrapa Meio Ambiente, destacando a relevância da conservação vegetal em áreas institucionais e o papel dessas espécies na manutenção dos ecossistemas locais. O pesquisador falou sobre a implantação de QRCodes em algumas espécies arbóreas da Unidade pelo GT Parque da Embrapa Meio Ambiente. Cada árvore do parque recebeu uma placa com QR Code, que funciona como um passaporte digital para o visitante, Basta apontar a câmera do celular, inserir o número da placa e acessar uma ficha completa da espécie em uma base de dados on-line. As informações vão desde a identificação botânica e nomes populares até à época de florescimento e frutificação, passando por possíveis usos e curiosidades. Cristina Tordin Fonte: Embrapa Navegação de Post Caminhos da Caatinga: trilha ecológica celebra a biodiversidade no município de Água Branca